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BIM e Arquitetura Social

  • 23 de out. de 2025
  • 3 min de leitura

Atualizado: 21 de nov. de 2025

Hoje, mais de um ano após a conclusão do meu TCC da pós-graduação em BIM, compartilho minha pesquisa de conclusão de curso — a continuação de um dos meus trabalhos mais emblemáticos.


Esta monografia, que em breve se transformará em um artigo científico, é uma expressão técnica, empática, filantrópica e emotiva do meu eu acadêmico e profissional.


Espero que, de alguma forma, esta pesquisa — e sua continuidade — contribua para uma sociedade mais equitativa e igualitária. Ou ainda, que possa servir como uma expressão pessoal da minha empatia enquanto ser humano, com o propósito de levantar questões muitas vezes negligenciadas e esquecidas.



RESUMO

 

Esta pesquisa propôs uma abordagem integrada entre a Arquitetura Social e o Building Information Modeling (BIM) como meio para transformar territórios vulneráveis. Esta abordagem combina elementos do design e da pesquisa social para investigar e elaborar soluções. A proposta preliminar é a criação de uma ferramenta BIM que promova a interoperabilidade e a comunicação entre diferentes agentes envolvidos, visando uma colaboração eficaz na transformação desses territórios. O estudo teve como objetivo investigar e descrever definições da vulnerabilidade de maneira holística, considerando diferentes contextos para compreender as necessidades dos indivíduos vulneráveis e, assim, criar projetos socialmente conscientes. Baseando-se na experiência espacial e na cultura local, a pesquisa destacou a importância do senso de pertencimento e segurança, conforme as perspectivas de Yi-Fu Tuan. Através da metodologia Design Science Research (DSR), foi desenvolvido uma instanciação teórica de uma plataforma colaborativa que visava conectar a sociedade com profissionais da indústria da construção. Essa plataforma buscou criar um ecossistema cooperativo para enfrentar desafios técnicos, sociais e culturais na transformação de territórios vulneráveis. A problemática da pesquisa foi abordada de forma ampla e segmentada, revelando a necessidade de uma visão integrada dos aspectos de vulnerabilidade, territorialidade e desafios da construção civil no contexto brasileiro. Essa abordagem inovadora e sistêmica espera-se que futuras pesquisas possam validar e aprimorar o artefato proposto, contribuindo para a redução das vulnerabilidades e promovendo o desenvolvimento sustentável nas comunidades atendidas.

 

Palavras-chave: Vulnerabilidade. Experiência. BIM. Interoperabilidade. Espacialidade.


Motivação

O caminho a ser percorrido nesta pesquisa é advindo da vontade da criação de algo que tem como motivação o sentimento de compassividade com os mais fragilizados, da diligência por experiência e por notoriedade dos fatos, e por necessidade de um futuro melhor. O Brasil enfrenta há muito tempo problemas repetitivos, mascarados ou tampados sob uma peneira que por ali tudo se passa e tudo se esquece. A falta de moradia adequada é um problema crônico, com mais de 5,1 milhões de domicílios em condições precárias.

Muitas dessas famílias vivem em áreas de alto risco, vulneráveis a desastres naturais e outras adversidades como o tráfico e a violência. O crescimento do déficit habitacional no Brasil cresceu e chegou a 5,876 milhões de moradias em 2019 (Drumond, 2021) enquanto mais de 240 mil estão em situação de rua (Governo Federal, 2023). Estima-se que esse cenário piorou substancialmente por conta da pandemia do Covid-19.

O abandono afetivo de idosos é uma realidade crescente no país, assim como o envelhecimento da população que ecoa em uma preocupação maior no sistema previdenciário (Jornal Nacional, 2024). Além disso, entre 2017 e 2020, foram feitas cerca de 86 denúncias de tráfico de pessoas envolvendo meninas até 18 anos. Este crime, muitas vezes ligado à exploração sexual e ao trabalho escravo, é alimentado por fatores socioeconômicos, como a pobreza e a falta de oportunidades de emprego decente tornando o Brasil acima da média global neste quesito (UNODC, 2021), além de outras problemáticas que serão abordadas à frente.

Esses problemas são complexos e interligados, e não podem ser resolvidos isoladamente. No entanto, é imprescindível acreditar que através das concepções da arquitetura social e do sistema disruptivo do Building Information Modeling (BIM), a indústria da construção pode tornar-se protagonista sustentável na melhora desses territórios, ao criar espaços seguros, acessíveis e melhorar a qualidade de vida dos brasileiros. Dessa forma contribuindo para uma sociedade mais justa e equitativa. Esta precisa ser uma motivação mais que suficiente para servir como combustível para impulsionar a mudança positiva. É erguer-se em conjunto para criar, desenvolver, mudar e inovar as experiências espaciais.


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- por cristiano gonçalves 2025

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